Livros de cabeceira: antídotos contra a de-formação médica.

PARTE I — O CORC, William Osler e a biblioteca do estudante


Em junho de 2024 alguns alunos do CORC — nosso Curso Online de Raciocínio Clínico — enviaram-me a foto de uma página de um livro de William Osler. Foi mais que uma foto, foi um presente, pois o que tinha ali espelhava exatamente o que eu imaginava para meus alunos. 

Você já deve ter ouvido falar do CORC mas tenho quase certeza que não sabe do que, de fato, se trata. É um espaço dedicado à formação de médicos e estudantes que desejam ir além do acúmulo técnico. 

Todos que me conhecem sabem que primo pelo estudo afinado e recorrente da doença, por um valor inestimável à experiência prática e, pelo interesse genuíno em desvendar os mistérios dos pacientes. Mas o CORC, se quer treinar os alunos a lidarem com essa realidade, deve, obrigatoriamente, desenvolver a visão interpretativa, fenomenológica e filosófica das doenças; deve inserir o aluno – e o professor – numa realidade maior do que aquela meramente “científica”.

Nosso propósito é devolver à medicina sua dimensão mais profunda: resgatar nossa inteligência; nossa capacidade de apreender os signos da realidade; nossa vontade de, simplesmente, conhecer a verdade!

Sir William Osler

Sir William Osler (1849-1919) foi, sem dúvida, um dos nomes mais importantes da medicina moderna. Professor em instituições como McGill, University of Pennsylvania, Johns Hopkins e Oxford, Osler reformulou o ensino médico ao defender que o estudante deveria aprender à beira do leito, com o paciente real. Mas Osler não era apenas o clínico que descreveu doenças e deu nome a inúmeros sinais. Ele era um sábio; uma pessoa que para além da medicina havia desenvolvido sua inteligência para observar a realidade de frente e sem medo da decepção! 

Tais livros listados por William Osler são recomendados aos seus alunos e, à simples análise do tipo de leitura recomendada, fica claro como Osler jamais viu o conhecimento médico-técnico dissociado da leitura de verdadeiros CLÁSSICOS (e não de livros como “A arte de ligar o foda-se”). 

1. Velho e Novo Testamento
2. Shakespeare
3. Montaigne (The Temple Classics)
4. Plutarch's Lives (The Temple Classics)
5. Marco Aurélio (The Golden Treasury Series)
6. Epicteto (The Golden Treasury Series)
7. Religio Medici (The Golden Treasury Series)
8. Dom Quixote
9. Emerson
10. Oliver Wendell Holmes (Breakfast-Table Series)

A lista nos provoca a pensar: antes de sermos médicos, estamos unidos pelos grandes dramas e esperanças da existência humana.

Mas será que ainda pensamos assim? Será que, na nossa formação médica contemporânea, restou espaço para essas leituras fundamentais? Ou será que tais obras são em demasia tradicionais, antiquadas e obsoletas?

São o oposto do que se pensa como “progresso” atualmente? Fala-se muito de uma formação humanística do médico, mas a quase totalidade dos apologetas dessa retórica advogam leituras que primam pela subversão da inteligência; pelo mero mimetismo simiesco que ecoe relativismo e materialismo: qualquer coisa menos a verdade e a ordem.

Na próxima parte desta newsletter, aprofundarei essa reflexão e sugerirei uma biblioteca ampliada, adequada aos desafios do século XXI, mas enraizada no mesmo espírito de Osler: formar médicos que sejam também sábios.

Até lá, reflita em algumas obras que o pai da medicina moderna – e responsável pela criação do modelo de Residência Médica – nos recomendou!

A formação que William Osler defendia é a mesma que buscamos: a de um médico que é também um sábio. Se o seu propósito é desenvolver essa visão que integra a técnica à filosofia, resgatando a inteligência para a verdade e a ordem, o CORC é o caminho.

Acesse o CORC e comece sua formação contínua.

Aguarde a Parte II.