Médicos, alegrai-vos!

Anos atrás, lendo não lembro onde, vi uma frase atribuída a São Filipe Neri: “Mantenha o bom humor em meio às pessoas e às doenças. É um indicador da alma correta e boa”. 

Filipe Rômulo Neri, nascido no século XVI, é um Santo católico que, sendo o “Santo da Alegria” tornou-se “Apóstolo de Roma” na medida em que, com bom humor e sorriso, converteu à santidade muitos clérigos indiferentes e desvirtuados pertencentes à então Cúria romana.

É verdade que árvores não frutificam em terrenos hostis, mas é justamente o terreno hostil que precisa ser arado para que colhamos bons frutos. As virtudes se revelam mais na turbulência dos vícios do que na mansidão da vida e qual virtude pode ser tão contagiante quanto a coragem que reclama para si a alegria diante da adversidade? 

Eugen Rosenstock, em seu livro A Origem da Linguagem, lamentou que “nós, modernos, não temos mais medo do diabo”. Essa ausência de medo não é uma face da coragem, mas seu exato oposto. É a suprema covardia. Digo covardia no sentido mais literal do termo: aquela de quem esconde o rabo entre as pernas por medo de conhecer a verdade. Àqueles que fogem do pecado são chamados de covardes pelos míopes que não enxergam o horizonte da Eternidade. Covardia é exatamente ceder ao pecado; ceder ao lambido do falso conforto que só reconhece como bom aquilo que lhe agrada.

Não há alegria verdadeira senão diante da verdade. A alegria na falsidade é disfarce; é pura tintura pronta a se desfazer na primeira contrariedade.

A alegria verdadeira em face da doença, do medo e do sofrimento não é um adereço e muito menos um disfarce. Não é sadismo! Não é, também, a ausência do choro que compadece. É uma certeza – consciente ou não – da bondade da Criação. É, em última instância, expressão da virtude da esperança que se desdobra em coragem diante a dor.

O sorriso é como a nuvem que se abre para passar o facho de luz em meio à tempestade! O bom humor contagia tal qual o Sol que ilumina o mais recôndito porão. 

“Um coração alegre é mais facilmente aperfeiçoado do que um abatido”, diria São Filipe Neri. Pois bem, um médico alegre aperfeiçoa a si próprio e ao paciente.

A Cruz não é melancólica; é parte crucial da Felix Culpa pois é graças a ela que Cristo nos redime! 

Como escreveu São Paulo: “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração." (Rm 12:12).

Médicos, alegrai-vos!